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| Primeira representante dos povos originários, Adriana passa a ocupar a Cadeira nº 30 da Academia de Letras de Porto Seguro. |
A escritora, professora e pesquisadora Adriana Pesca Pataxó
tomou posse na noite desta quinta-feira, 13, na Academia de Letras de Porto
Seguro, tornando-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira em uma
instituição desta natureza no estado da Bahia. Adriana foi eleita por
unanimidade, no dia 23 de abril passado, e agora ocupa a cadeira número 30, que
tem como patrona Urânia Vanério.
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| O Termo de Posse foi lido pelo acadêmico Gilvan Florêncio |
A Sessão Solene, realizada no Centro de Cultura de Porto
Seguro, teve início com a execução do Hino de Porto Seguro. Em seguida, foram
cumpridos os ritos acadêmicos que antecederam a entrada da nova integrante da
instituição, reunindo autoridades, nomes da literatura regional, artistas,
tradição acadêmica e ancestralidade Pataxó.
VEJA TAMBÉM:
Adriana foi conduzida até o palco pelos acadêmicos Éder Rodrigues, professor da UFSB, e Ciro de Lopes e Barbuda, procurador da Funai em Porto Seguro. Sua entrada, bastante simbólica, foi antecedida por um cortejo, oração e bênção Pataxó realizados pelo ’Grupo Tapurumã Uí Iquihã’, do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, levando ao interior do teatro a espiritualidade, e a memória dos povos originários.
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| O Diploma Acadêmico foi entregue pelas confreiras e professoras Verônica Flôr e Dilza Reis. |
BREVES RELATOS
Para Adriana, a posse ultrapassa o significado individual da
ocupação de uma cadeira acadêmica e representa a abertura de um espaço para
outras vozes e narrativas dos povos originários. Suas obras dão destaque à
cultura indígena, marcada pela potência, pela representatividade e por uma
literatura pungente e plural.
“Ser mulher indígena nesse contexto é muito mais do que
ocupar uma cadeira; é a retomada de um espaço, a demarcação de um lugar onde as
vozes coletivas dos povos originários poderão ser contadas por eles mesmos.
Vivi um momento pessoal, mas, acima de tudo, coletivo, de celebração e comunhão
com os meus e de registro de um novo capítulo na história da Academia”. Disse.
Para o presidente da Academia, Rod Pereira, “a posse de
Adriana Pataxó é uma reparação histórica que reafirma o compromisso da
instituição com a representatividade. “Receber Adriana significa reconhecer que
a literatura brasileira precisa ouvir cada vez mais as vozes que nasceram antes
mesmo da própria ideia de Brasil. Quando uma escritora indígena ocupa uma
cadeira em uma Academia de Letras, com ela chegam seu povo, suas histórias e
uma maneira própria de compreender e narrar o mundo”.

Jornalista e escritora Rose Marie, Adriana Pataxó e Roberto Martins
O Superintendente de Cultura de Porto Seguro, Herculano
Assis, destacou o simbolismo do ato: “a posse de Adriana Pesca Pataxó inaugura
um novo capítulo na trajetória da Academia e estabelece um encontro simbólico
entre os tradicionais ritos acadêmicos e a língua, a espiritualidade, os
saberes e a ancestralidade dos povos originários, mas também marca a presença
da literatura indígena brasileira contemporânea e a voz de um povo que faz
parte da própria identidade histórica e cultural de Porto Seguro.”
PEQUENA BIOGRAFIA
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| Adriana Pesca Pataxó toma posse na Academia de Letras de Porto Seguro em cerimônia histórica |
Adriana Pesca Pataxó, 40 anos, (também conhecida como Hitxá
Pataxó) é uma professora, escritora, poeta e pesquisadora pertencente ao povo
Pataxó da Terra Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, Bahia. É
professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e defensora da
literatura e da educação escolar indígena.
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| Adriana também prestou homenagens à sua mãe, representando a ancestralidade e a continuidade entre gerações |
Licenciada em História e em Educação Escolar Indígena, com
mestrado, atualmente doutoranda em Ensino e Relações Étnico-Raciais pela
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Atuou por quase duas décadas na
educação escolar indígena em Coroa Vermelha e tornou-se professora efetiva da
UFSB no Centro de Formação em Artes e Comunicação (CFAC).
Por Rose Marie Galvão - com informações da Academia de Letras de
Porto - Imagens Jefferson Felício





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