Candidatos, caNidatos e Cãodidatos: saiba a diferença — e não caia na casca de banana!



Existe uma diferença considerável entre candidatos, “caNidatos” e “cãodidatos”. Depois de ouvir certas expressões abobalhadas por aí, resolvi me aventurar no perigoso mundo das definições políticas.

Não sou linguista, cientista político nem especialista em “politicagem”. Mas, depois de tanto ouvir bobagem, me senti autorizado a criar minha própria classificação. Pode rir. Se não rir, pelo menos finja!

 

CANDIDATOS

Os candidatos, em tese, são aqueles sujeitos bem avaliados, com boas qualificações, propostas razoáveis e, principalmente, alguma condição de convencer o eleitor de que podem fazer um bom trabalho. Podem até ganhar a eleição. E, dependendo do caso, podem até cumprir o que prometeram. Eu disse podem!

 

“CANIDATOS”

Já os “caNidatos” são outra espécie. São pessoas que acordam numa bela manhã e pensam:

— “Por que não eu?”

Aí alguém responde:

— Porque você não tem voto.

Mas o sujeito, tomado por uma coragem que só pode ser explicada por excesso de cafeína, responde:

— “Isso é detalhe!”

Pronto! Nasce mais um “caNidato”.

São os sonhadores profissionais, geralmente sem estrutura, sem musculatura eleitoral e, em alguns casos, sem sequer saber direito por que estão disputando a eleição. Mas acreditam.

Acreditam tanto que criam uma “ilusão ilusoriamente ilusória”. Não tente entender. Nem eu entendi depois que escrevi.

A lógica é simples: basta se apresentar, tirar umas fotos, fazer meia dúzia de vídeos, apertar algumas mãos, distribuir sorrisos, publicar frases motivacionais e sair por aí dizendo:

— “Estou chegando forte!”

Forte onde? 

Aí já é outra questão.

O “caNidato” costuma ser vítima de uma espécie muito perigosa de amigo: o amigo da onça eleitoral.

É aquele que diz:

— Vai lá! Se joga! Você tem futuro!

— Mas eu tenho voto?

— Voto é detalhe! Você se lança, ganha experiência e apoia alguém depois.

E assim o pobre sujeito entra na eleição com a confiança de um candidato a presidente e sai com uma quantidade de votos que caberia tranquilamente numa van escolar.

Mas não importa. Ele ainda publica:

“Agradeço a cada um dos meus eleitores!”

E, nesse momento, começa a procurar quem são os outros dois.

 

E OS “CÃODIDATOS”?

Ah, esses são outra categoria. Os “cãodidatos” são os vendedores profissionais de ilusões. O país está cheio deles.

São aqueles que aparecem em todas as eleições, independentemente de terem deixado saudade na última.

Alguns já ganharam eleições.  Alguns até tiveram oportunidades de fazer um bom trabalho. O problema é que, depois de eleitos, descobriram que mandato não vem com botão de “desfazer” e até culpam efeitos de pandemias ou intempéries climáticas pelos seus fracassos.

São especialistas em promessas, tratados de amizade, acordos de ocasião e discursos emocionados. Até o dia em que precisam cumprir alguma coisa.

Aí desaparecem com a mesma velocidade de político quando aparece a conta do almoço.

São sujeitos acostumados a trocar alianças, desfazer amizades, prometer apoio e depois fingir que nunca conversaram sobre o assunto.

Sua experiência política resume-se, muitas vezes, ao velho e internacionalmente conhecido: “KH no PAL”.

Se você entendeu, não preciso explicar. Se não entendeu, melhor assim.

O mais curioso é que alguns desses personagens acumulam derrotas como quem coleciona figurinha repetida. E, mesmo assim, continuam convencidos de que o eleitor está apenas esperando uma nova oportunidade para reconhecer sua genialidade.

O eleitor, por sua vez, está tão cansado que, quando vê o sujeito chegando, já começa a bocejar antes mesmo do discurso.

E ainda tem aquele olhar.

Aquele olhar do eleitor que parece dizer:

“De novo você?”

 

A CARA DE PAU É UM TALENTO

A incompetência pode até explicar algumas derrotas. Mas a cara de pau explica a insistência.

Tem gente que leva um verdadeiro coice eleitoral bem no meio da autoestima (matéria prima da omelete), sente a pancada, levanta, sacode a poeira e pergunta:

— “Quando começa a próxima eleição?”

É uma resistência admirável.

Ou preocupante.

Depende do ponto de vista.

Para esses incansáveis candidatos ao poder, que desconhecem completamente a existência do óleo de peroba, a próxima eleição poderá trazer uma experiência ainda mais educativa.

Talvez, finalmente, descubram que o eleitor também tem memória.

E, quando a paciência acaba, existe uma frase que dispensa urna eletrônica, pesquisa eleitoral, marqueteiro, cabo eleitoral e santinho:

“PEDE PARA KH E SAI!”

 

Porque tem gente que precisa perder uma eleição.

E tem gente que precisa perder a eleição para aprender a perder a eleição.


"Esta obra - 💩- é uma ficção humorística; qualquer semelhança com nomes, pessoas ou fatos reais é mera coincidência e não há nenhuma intenção de difamar ou ofender." 

Nota do editor: É claro que as palavras PAL, CANIDATO e CÃODIDATO não existem, mas você pode fazer de conta e soltar sua imaginação, afinal, voar é o sonho de todas as aves... Algumas conseguem!

Em Pitacos & Broncas "nóis" satiriza algumas situações numa linguagem neutra querendo ser engraçada, sem nenhum intuito de ofensa.   

Bocão 64

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