Mais de 966 mil mulheres estão registradas na pesca artesanal no Brasil;
no Sul da Bahia, iniciativas apoiadas pela Veracel contribuem para a
qualificação profissional e a valorização das trabalhadoras
Antes de chegar às feiras, aos
restaurantes ou à mesa das famílias, o pescado percorre uma cadeia de trabalho
que começa nas águas dos rios, manguezais e mares. Da captura à seleção,
limpeza, beneficiamento e comercialização, são diferentes atividades que
movimentam a economia das comunidades costeiras. Por trás desse trabalho estão
conhecimentos transmitidos entre gerações, técnicas tradicionais e histórias de
quem encontra nas águas sua fonte de sustento. Nesse universo, as mulheres
exercem um papel fundamental, seja na pesca, na coleta de mariscos, na
preparação do pescado ou na organização das comunidades.
No Sul da Bahia, onde a pesca
artesanal faz parte da economia e da identidade de diferentes comunidades, esse
trabalho também recebe apoio de iniciativas desenvolvidas pela Veracel
Celulose. Em 2025, a companhia destinou mais de R$ 700 mil a programas voltados
a pescadores e catadoras de mariscos, com ações de qualificação profissional,
segurança no mar e valorização das trabalhadoras.
A presença feminina na atividade é
expressiva. Segundo dados de 2025 do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o
Brasil contabiliza 966.097 mulheres com registros ativos na pesca artesanal, o
equivalente a 50,17% do total. Mais de 80% dessas profissionais estão
concentradas nas regiões Norte e Nordeste. Apesar dessa participação, o
reconhecimento do trabalho feminino continua sendo um desafio. Em 2026, o
Ministério das Mulheres destacou a importância da autonomia econômica dessas
trabalhadoras e da preservação dos conhecimentos tradicionais ligados à pesca.
Histórias construídas entre o mar
e a comunidade
No litoral baiano, a participação
das mulheres vai além da captura e do beneficiamento do pescado. Elas também
integram associações e iniciativas de organização comunitária, contribuindo
para o fortalecimento da atividade. Essa atuação ganhou mais visibilidade em
2025, quando dez pescadoras e marisqueiras tiveram suas trajetórias
reconhecidas pelo Prêmio Mulheres da Pesca, concedido pela Veracel, por suas
contribuições à geração de renda e à mobilização das comunidades.
O reconhecimento faz parte de uma
relação construída com as organizações pesqueiras da região. Por meio do Comitê
de Relacionamento de Pescadores do Extremo Sul da Bahia, que reúne 20
entidades, entre colônias e associações, a companhia participa de iniciativas
voltadas às comunidades costeiras. Nesse ambiente, a participação das mulheres
também contribui para ampliar a representação de trabalhadoras que exercem
funções em diferentes etapas da atividade.
Uma atividade que movimenta a
economia regional
A importância econômica da pesca
artesanal também aparece em um trabalho de monitoramento realizado pela
Veracel, em parceria com a Ambipar, no Sul da Bahia. Segundo os resultados de
2025, divulgados em maio deste ano, a atividade registrou mais de R$ 1,5 milhão
em faturamento nas áreas acompanhadas. Em Santa Cruz Cabrália, foram
comercializadas 47,8 toneladas de pescado, enquanto as marisqueiras de Belmonte
participaram do beneficiamento de 5,3 toneladas, com destaque para o
caranguejo. O levantamento acompanha a produção, a comercialização e as
características da atividade, fornecendo informações que podem apoiar as
comunidades pesqueiras.
Além do monitoramento, a Veracel
apoia a qualificação profissional das comunidades pesqueiras do Sul da Bahia,
com cursos de laminação de embarcações, mecânica e elétrica. Em 2025, as
iniciativas também incluíram capacitações conduzidas pela Marinha do Brasil,
voltadas à segurança no mar e à preparação dos profissionais para o exercício
da atividade pesqueira.
A relação das mulheres com a pesca
também envolve a transmissão de saberes sobre o ambiente costeiro, as técnicas
de coleta e o beneficiamento dos produtos. Esse conhecimento, presente no
cotidiano das comunidades, faz parte de uma atividade que conecta trabalho,
cultura e modos de vida. Sua valorização integra as discussões nacionais sobre
autonomia econômica e reconhecimento das pescadoras e marisqueiras.
Entre redes, marés e manguezais, a
participação feminina continua sendo parte importante da pesca artesanal no
litoral baiano. Das atividades realizadas nas águas à organização comunitária,
o trabalho dessas mulheres contribui para a geração de renda e para a
continuidade de práticas tradicionais que permanecem ligadas à história da
região.



