A FERA DA PENHA: MULHER MATA E QUEIMA FRIAMENTE A FILHA DO AMANTE DE APENAS QUATRO ANOS

UM DOS CRIMES QUE MAIS CHOCARAM O RIO DE JANEIRO CAUSA COMOÇÃO ATÉ OS DIAS DE HOJE  
Seguindo a linha de curiosidades, o Bocão 64 trás hoje uma história comovente que aconteceu no passado, mostrando o lado cruel e monstruoso de uma pessoa obcecada por desejos de vingança, num crime passional.

1960, Rio de Janeiro. O casal Antônio e Nilza morava com duas filhas pequenas no bairro Piedade, subúrbio da Cidade Maravilhosa. Ele saía para trabalhar, ela cuidava da casa e das crianças, e, aos olhos das pessoas próximas, a família levava uma vida ótima.

Entretanto, Antônio escondia um segredo: estava se relacionando com outra mulher. Ele a conheceu em um trem, enquanto ia cumprir suas obrigações diárias. Seu nome era Neyde Maria Maia Lopes, tinha 22 anos e era fã do escritor Nelson Rodrigues e de livros de mistério.

O que era para ser uma aventura rápida foi virando parte da rotina de Antônio. Durante três meses, eles tiveram encontros constantes e intensos.

Neyde sabia que algo estava errado com o seu novo namorado, mas não tinha coragem de perguntar e encerrar o romance. Até que um dia, um amigo próximo de Antônio e que sabia da situação – talvez por peso na consciência, talvez por interesse próprio – revelou à Neyde o que era escondido até então: seu atual namorado tinha casa, esposa e dois filhos. 
                                               “Seu atual namorado tinha casa,
                                                                     esposa e dois filhos”

Recebendo a notícia no susto, Neyde fraquejou, entrou em desespero e foi logo cobrar satisfações do amado. Ela disse então que não aceitaria tal situação e que ele teria uma semana para acabar com o casamento.

É claro, Antônio relutou, disse que não era bem assim e tentou equilibrar trabalho, casa, esposa, filhas e amante. Você já deve conhecer essa história.

NASCE UMA IDEIA MALIGNA
Neyde não esqueceu. Ela esperava que ele tomasse aquela decisão baseada somente na paixão – afinal, se ela jogaria qualquer coisa para o alto, ele deveria fazer o mesmo.

Com esses pensamentos fervilhando em sua mente, ela passou a executar um plano que durou nada menos do que seis meses. Descobriu onde a família de Antônio morava, cercou a residência, anotou hábitos e conheceu bem o rosto de sua rival: Nilza.

Um dia, ela tomou coragem e bateu na porta da casa:
– Nilza, tudo bem? Você se lembra de mim?
– Oi, tudo bem. Desculpe, mas não me recordo.
– Nós estudamos juntas!
– No Duque de Caxias?
– Isso mesmo.

E foi com essa história inventada que a amante se aproximou da esposa e conquistou sua confiança. Ela também conheceu as crianças: Tânia e Solange, duas adoráveis meninas.

Aos poucos e com perguntas certeiras, Neyde ia descobrindo tudo de que precisava para dar o próximo passo em seu plano. Certo dia, perguntou para Nilza do que Antônio mais gostava no mundo. Sem nem imaginar o mal que estava por vir, ela respondeu que a pequena Tânia era a luz dos olhos do pai.

Foi aí que Neyde teve, pela primeira vez, o pensamento que mudaria para sempre a vida de todos os envolvidos no caso. Ela decidiu então que precisava se aproximar mais da garota, levando doces e presentes.

Os meses se passaram. Em um dos encontros com Antônio, Neyde se levantou da cama e disparou:
– Antônio, você gosta mesmo da Nilza?
                                                          “Ou você termina com a sua esposa
                                                               ou eu mato a sua família inteira”

Assustado com a revelação de que a sua amante sabia o nome da esposa, Antônio tentou entender a situação. Ela então contou que já havia estado na casa dele e conhecido suas filhas. Não satisfeita, a mulher ameaçou: “Ou você termina com a sua esposa ou eu mato a sua família inteira”.

Antônio não acreditou nesta intimidação nem por um segundo. Levantou-se e, como sempre, chegou em casa como se nada tivesse acontecido.

O DIA FATÍDICO
No dia 30 de junho daquele ano, Taninha, como era chamada carinhosamente a menina de apenas 4 anos, não queria ir à escola. Contrariada, ela foi levada pela mãe para a casa que servia de centro de ensino.

Durante a tarde, uma vizinha recebeu um telefonema: era um recado da mãe de Tânia. Ela se encaminhou à escola e avisou a diretora que uma amiga de Nilza iria buscar a criança. Sem que ninguém desconfiasse de nada, Neyde retirou a menina das mãos da própria responsável pela escola.
Menos de 30 minutos após o ocorrido, Nilza chegou ao local e se desesperou ao saber que uma estranha havia levado sua filha embora. A notícia se espalhou e logo alcançou os ouvidos do radialista Saulo Gomes, que resolveu acompanhar o caso.

Já na delegacia, a única pessoa com pistas sobre o caso era justamente Antônio: assim que ouviu as características da sequestradora, ele teve certeza de que Neyde estava envolvida no caso.

Enquanto isso, ela havia levado a criança para a casa de uma amiga – Neyde sabia que naquela região havia um matadouro e vários urubus sumiam com as carcaças de animais.

Neyde sabia que naquela região havia um matadouro e vários urubus sumiam com as carcaças de animais

Já na casa, Neyde ficou conversando com a conhecida por algumas horas e disse estar cuidando da criança para uma amiga. Repentinamente, ela pediu uma tesoura, cortou um pedaço do cabelo de Taninha e o guardou na bolsa.

As duas deixaram a casa por volta das 8 horas da noite, passaram em uma venda e Neyde comprou uma garrafa de álcool. Curiosa, a criança perguntou o que era aquilo e, sem hesitar, ela respondeu que Taninha ficaria doente e aquele seria um remédio.

Elas adentraram no matadouro e, enquanto a criança pedia para voltar para a mãe, Neyde pegou uma arma calibre 32 e disparou. Em seguida, despejou o álcool no corpo da garota e ateou fogo.

Ela retirou uma arma calibre 32 e disparou. Em seguida, despejou o álcool no corpo da garota e ateou fogo.

Funcionários escutaram o disparo e descobriram o crime. Porém, quando a polícia chegou, nada mais podia ser feito.

 AS CONSEQUÊNCIAS
Neyde deixou o local e foi para casa, sem saber que a polícia já a aguardava. Às 22h30, ela foi surpreendida pelos oficiais e teve a bolsa revistada: a arma do crime ainda estava lá.

Levada à delegacia, ela permaneceu fria e negou qualquer participação no desaparecimento e na morte da criança. No local do crime, ela se recusou a olhar o cadáver e disse que contaria tudo quando voltassem. Entretanto, mesmo depois de 12 horas de interrogatório, ela continuou sem se entregar.  

Nesse momento, entrou em cena o radialista Saulo: com autorização para fazer uma entrevista com a jovem, ele perguntou o motivo pelo qual ela havia cometido o crime. Para a surpresa de todos, ela respondeu: “Por que você está me perguntando isso? Quer saber? Eu só não matei a família toda porque não tive tempo”.

Depois de horas em silêncio, ela usou a oportunidade para contar em detalhes tudo que havia acontecido desde o seu o primeiro encontro com Antônio.

Neyde foi condenada a 33 anos de prisão, mas só cumpriu 15. Nesse tempo, permaneceu na cadeia acompanhada de uma pequena boneca, que ela tratava como filha. Hoje, aos 79 anos, ela vive sozinha na Zona Norte do Rio. Os vizinhos dizem que ela é uma mulher solitária, que quase não sai de casa.

A menos de 2 km de distância, vivem Antônio e Nilza, que continuam casados e tiveram outros três filhos. A família cresceu ainda mais, com seis netos e dois bisnetos.

O matadouro virou praça e ganhou uma placa que lembra a tragédia. Até hoje, o túmulo de Tânia, no Cemitério de Inhaúma, recebe muitos presentes e homenagens de pessoas que acreditam que a menina virou santa.

REPERCUSSÃO NA MÍDIA
O a história do crime repercutiu no país inteiro, enchendo as páginas policiais de jornais e tablóides, principalmente do Estado do Rio de Janeiro.



FONTE(S): EXTRA / LINHA DIRETA / REDE GLOBO / MEMÓRIA BN / DÉCADA DE 50
IMAGEN(S): DESMANIPULADOR

Aviso do Bocão 64

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