A RPPN consolida-se como santuário de biodiversidade para
estas espécies reintroduzidas na natureza, seguindo o recente sucesso do
nascimento de uma harpia na mesma reserva
Quase dois séculos após ser
considerada extinta no litoral brasileiro, a arara-vermelha-grande (Ara
chloropterus) volta a se reproduzir nas florestas da Mata Atlântica. O
nascimento de dois filhotes na natureza é o mais recente marco do Projeto de
Reintrodução da espécie, realizado pelo Ibama através do Centro de Triagem de
Animais Silvestres (Cetas) de Porto Seguro, em parceria estratégica com a
Veracel Celulose.
O cenário deste acontecimento
histórico inclui a RPPN Estação Veracel, a maior Reserva Particular do
Patrimônio Natural de Mata Atlântica do Nordeste brasileiro. Com cerca de 7 mil
hectares de floresta em estágio avançado de regeneração, a reserva oferece o
habitat preservado e seguro necessário para que espécies outrora desaparecidas
possam prosperar novamente.
Um dos pontos mais inovadores deste
projeto é a origem das aves. Os pais dos filhotes vieram de cativeiro,
resgatados do tráfico de animais e de doações, e passaram por um treinamento de
voo e alimentação para aprenderem a viver na floresta.
O grande sucesso científico está em
ver que essas aves, que antes eram criadas em cativeiro, recuperaram seus
instintos, formaram casais e hoje protegem seus ninhos. Os filhotes nascidos no
fragmento que inclui a RPPN Estação Veracel já mostram um comportamento
selvagem, voando e explorando a mata de forma independente sob a supervisão dos
pais, sem interferência humana direta.
Este sucesso reprodutivo não é um
evento isolado. Recentemente, a Estação Veracel celebrou o nascimento de um
filhote de harpia, uma das maiores aves de rapina do mundo e extremamente
sensível à qualidade do habitat. A presença de reprodução ativa tanto de
harpias quanto de araras-vermelhas-grandes confirma que a área da reserva
mantém um ecossistema equilibrado e capaz de sustentar espécies que ocupam o
topo da cadeia alimentar e atuam como "engenheiras do ecossistema".
”O nascimento das araras-vermelhas
nessa área comprova que esforços para a conservação vão muito além de só manter
uma área de vegetação nativa. A Estação Veracel é mais que uma área protegida:
é um laboratório de esperança onde a ciência e a natureza se reencontram para
reparar danos históricos ao nosso bioma" afirma Virginia Londe de
Camargos, bióloga e gerente de Meio Ambiente da Veracel Celulose.
Segundo Ligia Ilg, analista do
IBAMA e coordenadora do projeto de reintrodução da arara-vermelha-grande na
Mata Atlântica, “o nascimento dos filhotes representa um marco para os esforços
de conservação da Mata Atlântica e demonstra a grande importância das áreas
como a RPPN Estação Veracel para o reestabelecimento de espécies ameaçadas pela
ação do homem”.
O projeto de reintrodução da
arara-vermelha-grande na Mata conta com apoio de diversas instituições: a RPPN
Estação Veracel, que desenvolve ações de monitoramento e educação ambiental; a
Polícia Militar da Bahia, responsável pela proteção da área de soltura; o
Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC),
que orienta o treinamento dos animais; a Conservix, responsável pela construção
de ninhos artificiais; e a organização internacional World Parrot Trust, que
financiou a construção dos viveiros de voo.
Foto e vídeo das araras-vermelhas
podem ser encontrados na publicação na
página da Veracel.
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